A formação em Psicologia intercultural oferece o alicerce para um atendimento diferenciado às mulheres brasileiras imigrantes ou expatriadas que residem em outro país.
A nossa proposta é essa: especialidade no tratamento de um grupo de doenças crônicas, autoimunes sistêmicas e agregar os aspectos interculturais no atendimento psicológico.
Vamos investir na nossa saúde mental e qualidade de vida.
Marcelina é uma mulher brasileira, mora em outro país, longe da terra natal.
Segue sua estória ilustrativa:
Vim com a coragem que só a brasileira tem.
Cada dia é um desafio diferente, nem sei calcular as vezes que tive que me virar nesse novo idioma.
Outras vezes entender como se comportar na rua, nas lojas, nas festas… A postura das pessoas é diferente do que estou acostumada… outra cultura, né?
Fazer amizades é outro desafio… nossa, são desconfiados mesmo, às vezes até preconceituosos, mesmo eu sendo dekassegui. Mas também tem gente boa, humilde e simpática.
Há algum tempo comecei a sentir vários sintomas no corpo… Achei super estranho pois ainda não estou com idade avançada. Dores fortes nas articulações, umas manchas na pele, vermelhidão no rosto, e o intestino todo descontrolado… falta de concentração e sem paciência para nada. Isso foi aumentando e modificando quase tudo na minha vida, inclusive no trabalho. Passei a ficar mais em casa e sem interesse de ver as pessoas.
Paguei caro para consultar médicos aqui. Cada um me encaminhava para outro especialista… Fiquei preocupada, comecei a ficar ansiosa e com medo até de sair de casa.
Enfim, o diagnóstico demorou muito, mas descobriram que eu sofria de uma doença autoimune sistêmica. Nunca ouvi falar nisso e me apavorei, juro! Bateu uma angústia que não sei nem explicar… Pensei que iria morrer e queria voltar para São Paulo! Com o tempo fui me acalmando e procurando ajuda. Hoje me trato com vários tipos de especialidades médicas. Eles me recomendaram psicoterapia, também.
Pulei de galho em galho… fui atrás de uma profissional que atendesse ON LINE e em português. Encontrei uma que não sabia nada sobre minha doença, outro profissional era bom, mas não entendia como as coisas funcionam aqui no exterior e eu me cansei de explicar. Até que encontrei um profissional brasileiro que conhecia muito da minha doença e sabia como era viver numa cultura tão diferente.
Hoje estou bem e me reinventando para ter qualidade de vida.”
(Marcelina, 39 anos, Hamamatsu, Japão)
Boa noite, meu nome é Marcelina.Bom….. Você vai anotando aí que eu conto a minha vida. Tudo, eu acho…. Não tenho certeza, começou a 5 meses com início de um edema muito escuro na perna, dor articular e rigidez na mão direita…. Ou seja, mal consigo escrever por que sou destra… então, eu tinha muito calor na mão e dor, tipo fisgada na palma da mão. Mal consigo fazer atividades rotineiras da casa.
Após tomar alguns anti-inflamatório a dor não diminuiu. O médico da UPA disse para eu ir direto ao reumatologista e depois de vários exames de sangue e Rx (foi horrível fazer tantos exames, retornei com resultados que praticamente estavam dentro da normalidade com exceção da hemossedimentação. Então comecei tratamento com Hidroxicloroquina a princípio por 6 meses e Predsin. Pois, por essa alteração neste exame e sinais clínicos a médica reumatologista suspeitou de artrite reumatóide.
Estou no final da primeira caixa de Hidroxicloroquina, mas conforme orientação da Reumato, o efeito deve iniciar após 30 dias. Procurei também um traumatologista que me deu remédio para tendinite com tratamento com Indocid . Fiz 15 dias de tratamento a dor aliviou, mas persiste até hoje….. E meu estômago não para de arder, tive que tomar Omeprazol também.
Hoje achei um blog na internet e após pesquisar muito no youtube, já li algumas indicações de dieta e vou começar a fazer. Hoje se não tomo corticóide e imunossupressor a dor continua e vai até o cotovelo…. fiz uma contenção com atadura, ponho pomada de arnica antes de dormir, e vou avaliar amanhã ao acordar. Utilizei uma tala mas que apresenta um suporte rígido e pega no meio da mão e a dor aumentou.
Tenho dúvidas quanto ao tempo de início de alívio da dor ou remissão da AR se é a partir de 30 dias mesmo. Você que é enfermeira nesse Posto de Socorro. Saberia me dizer quando vou sentir o alivio das dores e dos sintomas?
Já chega, Enfermeira! Eu fico esperando a minha vez no atendimento…. Por favor, não demora, a dor está horrível hoje!
Oi Dr., eu me chamo Marcelina. Bem….. em 1999 eu tinha 9 anos de idade quando senti dores abdominais muito fortes, minha mãe disse que eram gazes….. Mas a dor foi tão forte que fui internada e o médico disse que era virose, eu acho……….. Daí 15 dias se passaram , mais ou menos, e eu piorei muito, com ajuda da minha Avó eu fui internada no Hospital Geral (HG) aqui da cidade, onde me trato quando estou em crise.
A 1ª suspeita foi de leucemia, quase morri de tanto chorar…. ficamos sem chão, mas Deus é bom, e no dia 26 de dezembro do mesmo ano a notícia foi menos ruim, era Síndrome de Sjögren. Nossa…. ai tive uma crise, me deu úlceras na vagina e na boca inteira cheia de afitas, duas delas que pareciam um caroço de azeitona… Deus….., e me deu infecção de pleura, também.
No ano passado dia 1º de julho eu fui internada novamente apenas com dor abdominal forte, no HG disseram que era infecção e deram antibiótico, me deu angioedema e fiquei internada 8 dias, quando sai eram 15:30h da tarde e precisei voltar as 22:30h da noite pois havia contraído flebite, essas bactérias quase levaram meu braço.
No dia 10/02/2022 fui internada de novo com vasculite por todo o corpo, arde, coça e dói, não posso usar roupas.
Me chamo Marcelina, tenho 32 anos, moro no estado do Maranhão, convivo com a Síndrome de Sjögren há 16 anos, por causa dessa doença estou impossibilitada de trabalhar, fico fazendo bolos caseiros para vender.
SOU MARCELINA ! EU TENHO UMA DOENÇA CRÔNICA OU AUTOIMUNE SISTÊMICA E MORO NO EXTERIOR.
VOCÊ SABE O QUE ACONTECE COMIGO? VOU TE DAR SÓ UNS EXEMPLOS
- Minha doença é rara e até os profissionais de saúde não a diagnosticam rápido.
- É difícil encontrar profissionais de saúde especializados sobre a minha doença, de todos os tipos, viu?
- O diagnóstico definitivo demora, as vezes anos, e até lá eu sou tratada só pelos sintomas e já cheguei a tomar 12 tipos de remédios diferentes por dia.
- Tem muita gente que não acredita que eu tenho dores que não param ou por que fico com as juntas inchadas e doloridas.
- Minha auto-estima desaba quando eu sinto as dores e as fístolas na pele e a queda de cabelo sem parar.
- Quando vou para o trabalho tenho que colocar a roupa toda fechada e um lenço na cabeça. E tenho que fingir para os outros que eu tô super bem.
- Meu intestino é uma roda gigante, às vezes preso por dias, e, outras vezes, com diarreia sem fim.
- Fico sem energia como um todo. De manhã acordo e me sinto toda rígida, enferrujada e com os olhos inchados. Parece que está faltando trocar a bateria, qeuro ficar deitada e nem sair de casa.
- No meu trabalho a maioria das pessoas não acredita que eu tenho tanta dor. Quando eu apareço com manchas na pele, ou uma ferida enfaixada, tem gente que acha que eu tenho doença contaminosa.
- Me sinto rejeitada pelos colegas de trabalho. Eles deixaram de me chamar para os encontros sociais e até para as reuniões de trabalho.
- Tem vezes que preciso faltar ao trabalho pois estou postrada na cama com dores. Depois preciso ir atrás de médicos para explicar a eles tudo e ter um atestado médico de afastamento temporário. Isso é tão frequente que o pessoal do RH já sussurra em de demitir.
- Dentro de casa tem dois tipos de atitude. Uma é que alguns não aceitam que eu tenho esse sofrimento todo, do outro lado, eu tenho alguns que buscam me ajudar, mas desconfiam se estou inventando os sintomas.
- Meu relacionamento afetivo está complicado, afinal... quem quer estar ao lado de uma mulher que só sente dores e reclama dos remédios, dos médicos e do trabalho?
- Minha memória e foco estão indo ladeira à baixo. Pior é que sem foco eu tenho dificuldade de trabalhar.
- Penso de vez em quando em abandonar tudo e voltar para o Brasil, mas vai resolver?
- O processo alimentar é outro problema. Tenho várias restrições e não suporto por muito tempo a dieta que o nutricionista me passou.
MATÉRIA COM DEPOIMENTO REAL SOBRE PROBLEMAS PSICOLÓGICOS EM RAZÃO DO SJÖGREN
‘Pensei que estava louca’: doença impede mulher de produzir lágrimas
“A síndrome de Sjögren requer atenção porque ela pode desencadear outras comorbidades como o acometimento pulmonar, manifestações renais, sistema nervoso periférico e o sistema nervoso central. Outras manifestações, como cefaleia (dor de cabeça), disfunção cognitiva e distúrbio do humor, são muito frequentes também. Manifestações hematológicas se caracterizam por anemias e baixa defesa pela queda de leucócitos. Pericardite, lesão valvar, miocardite e arritmias podem ser manifestações cardíacas. A hipertensão pulmonar ocorre”, explica o reumatologista Marco Antônio Araújo da Rocha Loures, presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia.
“Rafaela afirma que enquanto ia de médico em médico, em busca de um diagnóstico, chegou a pensar estar com problemas psiquiátricos, já que por muitas vezes ouviu das pessoas e dos próprios profissionais que “não era possível ela ter tantas dores” como dizia.
“Eu sentia dor no meu corpo todo e de tanto falarem que não era possível, eu pensei que estava ficando louca. Que as dores não eram reais e sim psicológicas”, recorda. Ela também procurou ajuda psicológica para lidar com a situação.
Foi durante uma consulta com um clínico geral, no final de 2019, que foi levantada a hipótese de Rafaela ter a síndrome de Sjögren – doença rara que causa secura da pele, olhos e boca, além de afetar outros sistemas do corpo.
“Fui encaminhada ao reumatologista e ele me pediu uma bateria de exames. Seis meses depois veio o diagnóstico: eu tinha síndrome de Sjögren. Eu nunca tinha ouvido falar e não fazia ideia do que era”, conta a estudante.
O diagnóstico trouxe alívio, mas também medo. Além de ter que lidar com as dores diárias causadas pela doença, Rafaela afirma que precisou enfrentar o preconceito das pessoas.
“Muita gente olha e por eu não ter um sinal físico da doença, por ela ser ‘invisível’, duvidam que ela realmente existe. As pessoas não entendem a minha fadiga e as dores no corpo. Já tive que mostrar o atestado médico para acreditarem”, relata.
Para entender mais sobre a doença, a estudante passou a pesquisar conteúdos que a pudessem auxiliar nessa fase de adaptação à nova vida. Ela criou uma página no Instagram onde fala sobre a doença e divide sua experiência.
“É diferente um médico falar e uma pessoa com a doença falar. Por isso tento mostrar um pouco da minha vida e converso muito com outras pessoas que também têm a síndrome. A gente vai se apoiando”, diz.
A síndrome de Sjögren não tem cura e o tratamento é feito com uma equipe multidisciplinar que inclui reumatologista, oftalmologista e dentista.
Para amenizar os sintomas de secura na pele, olhos e boca, ela usa produtos específicos como: enxaguante bucal à base de xilitol para estimular a salivação, uso de colírios específicos diariamente, além de tomar corticoides, imunossupressores e seguir uma alimentação saudável evitando alimentos muito secos.
“É uma nova vida, porque os medicamentos causam muitos efeitos colaterais. Um dia você está bem e no outro você está tão fatigado que não consegue levantar da cama. É uma luta diária”, conta a estudante.
